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Processo de Beatificação de D. Afonso Henriques

125 A partir do séc. XVI, em pleno reinado de D. João III, iniciou-se o processo de beatificação de D. Afonso Henriques, baseado na convicção atribuída por Fr. Nicolau de Santa Maria aos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, de Coimbra, e aos Monges de Alcobaça de que "sempre tiveram pera si, e piamente creram, que o invicto Rei D. Afonso Henriques vivia glorioso na bemaventurança, e como tal lhe compuseram uma comemoração de bemaventurado com Antífona, Verso e Oração". As tentativas para a sua canonização resultaram da sacralização das origens e da promessa escatológica de um destino, consubstanciadas no "Milagre de Ourique" (1).

Existe no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta um importante conjunto de manuscritos relativos a este processo, com destaque para a transcrição dos 10 argumentos constantes da tese do teólogo vimaranense, José Pinto Pereira, publicada em Roma, em 1728," Apparatus Historicus de Argumentis Sanctitatis Regis Alfonsi Henrici ", que "provam" que D. Afonso foi Pio, Beato e Santo, as transcrições da Crónica do Conde D. Henrique, de Duarte Nunes de Leão, [1677], os capítulos da História de Afonso Henriques escritas pelo arcebispo de Braga, em 1542.

A sua consulta está disponível através do sitio da internet em:
archeevo.amap.com.pt/details?id=158608

Breve Resenha:
"(…) D. Afonso Henriques (…) "foi sepultado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em humilde monumento, que el-rei D. Diniz principiou a ornar, e D. Manuel tornou magnífico, nas paredes da capela-mor do mesmo mosteiro. Todo o português o chorou, como restaurador da sua liberdade, fundador da monarquia, pai da pátria, modelo de réis, terror de inimigos, coluna da Igreja lusitana. Como tal, querem alguns escritores, exaltando a sua piedade e virtudes, honrá-lo com título de santo, sendo neste sentido tentada por mais que uma vez a sua beatificação. Destes "tentamens", como pouco conhecidos, darei breve notícia, extraída dum notável e curiosíssimo trabalho do meu erudito mestre e indefeso investigador Pereira Caldas:
Em 1556 tratou o prior de Santa Cruz de Coimbra - com os cónegos do mosteiro - de promover curialmente a beatificação de D. Afonso Henriques, fazendo as provanças do estilo, com autorização do bispo-conde D. João Soares e com a protecção del-rei D. João III. Já não era esta a primeira tentativa, porque nas anteriores, promovidas sem as provanças do estilo e sem a protecção real, nenhum deferimento se havia obtido em Roma a tal respeito. Tinham sido sempre os cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra, enviado à capital pontifícia alguns religiosos grados, os que mais dedicadamente se empenharam nestas tentativas. No entanto a mesma improficiência que malfadara então, veio a malfadar ainda estas tentativas do século XVI. O que não deixa de ser singular, no meio da inacção de Roma, é o alvitre, a este respeito, vulgarizado entre os monges de S. Jerónimo de Alcobaça e os cónegos de Santo Agostinho de Santa Cruz de Coimbra. Num mosteiro e noutro girava composta uma comemoração de bem-aventurado em relação a D. Afonso Henriques - com antífona, verso, responso e oração - como se a Igreja o houvera catalogado na lista dos santificados. Em 1728, ano em que o APARATO HISTÓRICO - livro do padre José Pinto Pereira, sobre a santidade de D. Afonso Henriques – fora publicado em Roma, sendo então oferecido à santidade do Papa Benedito XIII e à majestade do nosso rei D. João V, activaram-se de novo os trabalhos neste sentido. No entanto até hoje nada de definitivo. Em 1752 tornaram-se a activar ainda de novo em Roma alguns trabalhos análogos. Lêm-se mencionados na Gazeta de Lisboa de 1753, nº 1 de 4 de Janeiro, nas seguintes palavras: «Na vila de Guimarães se ajuntou a Academia Vimaranense no dia 6 de Dezembro, aniversário do falecimento do venerável e santo rei D. Afonso Henriques, natural da mesma vila; e aplaudiu com eloquentes discursos, e discretas poesias, a notícia de se tratar em Roma da sua beatificação». Mas apesar de tão repetidas instâncias ainda é lícito duvidarmos da santidade do nosso mais ilustre patrício (2)
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(1) Silva, Armando B. Malheiro da; Araújo Alberto Filipe -"Para uma mitanálise da fundação sagrada do reino de Portugal em Ourique" in: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4413.pdf
(2) CALDAS, António José Ferreira, padre- Guimarães Apontamentos para a sua História - Padre. 2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte I, pp. 149/152.
20 de Junho de 2014 17:25
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